Sir Richard Francis Burton
"Meu velho anseio pelos prazeres
da vida nas matas distantes - a solidão - pesou forte sobre mim.
Suspirava impaciente para ficar novamente longe dos meus
semelhantes, por assim dizer - para mais uma vez ficar frente a
frente com a natureza. Esse alimento da alma, como dizem os
árabes é o verdadeiro antídoto da entourage¹ de cada um, dos
efeitos perniciosos da época e da raça do indivíduo, e ele é
generoso para quem deseja pensar com a própria cabeça."
Escreveu Richard Francis Burton em
sua viagem de 2 mil quilômetros descendo o rio São Francisco num
ajoujo² alugado. Depois de ir até Morro Velho em Minas Gerais
para procurar ouro, Burton fez provavelmente a sua última
aventura.
Depois de fazer a peregrinação a
Meca e Medina e de duas expedições às nascentes do Nilo, o velho
explorador que viveu muitas vidas, explorou as margens do Velho
Chico se despedindo de sua vida de aventuras.
Em busca de ouro e diamante, Burton
acabou fazendo uma pesquisa importante e revelando informações
geográficas e culturais da bacia do rio São Francisco. O
resultado desse trabalho é comentado por ele mesmo em seu livro
sobre sua passagem pelo Brasil como cônsul inglês.
"... quando minha previsão sobre
sua futura grandeza tiver se justificado, quando o viajante
puder comparar o Presente dele com o meu passado, e então
encontrar um outro critério para avaliar a marcha do Progresso,
à medida que ele avança, e deve avançar a largos passos, na
Terra do Cruzeiro do Sul."
A vida de Sir Richard Francis Burton
faz qualquer um que se ache aventureiro um medroso.