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Nos limites do Parque, onde nasce, o rio São
Francisco percorre cerca de 14km até atingir a escarpa da Serra da
Canastra, onde forma sua primeira cachoeira, a Casca D'Anta. O nome
Casca D'Anta vem de uma espécie de árvore conhecida popularmente como
Casca de Anta (Drymis brasiliensis) que antigamente ocorria nas
proximidades da cachoeira.
Com uma queda de quase 200m de altura, é uma
das mais altas do Brasil. Na época das chuvas mais intensas, de dezembro
a fevereiro, o barulho da cachoeira pode ser ouvido a quilômetros de
distância, enquanto que na época da seca, de julho a setembro, o volume
de águas diminui bastante.
"Embrenhamo-nos na mata e dentro em pouco
começamos a ouvir o barulho da cachoeira. Pelas informações que me
tinham dado havia poucos instantes, eu sabia que ela se despencava do
lado meridional da Serra da Canastra. De repente avistei o seu começo e
logo em seguida pude vê-la em toda a sua extensão, ou pelo menos o
máximo que podia ser visto do ponto onde nos achávamos. O espetáculo
arrancou de José Mariano e de mim um grito de admiração." (Viagem às
Nascentes do Rio São Francisco, Auguste de Saint-Hilaire, 9/4/1819)
A cachoeira Casca D'Anta é, sem dúvida, a
principal atração do Parque. Para quem chega pelo lado sudoeste do
Parque, principalmente pela serra da Babilônia, ela é avistada de grande
distância. Mas quando se chega perto a sensação é indescritível. Alguns
gritam e outros, acredite, soltam lágrimas de emoção. Fotogênica, é
fotografada a todo instante. É realmente um espetáculo da natureza.
Poucos se atrevem, mas mergulhar e nadar no
seu poço da parte baixa é uma aventura imperdível. Não existe perigo de
ser arrastado pela correnteza pois ela é fraca e as pedras por onde
continua o rio protegem qualquer distração. Deve-se ficar mais atento
quando o rio fica mais cheio na época das chuvas. A maior dificuldade,
principalmente na época das chuvas, quando a força das águas aumenta
consideravelmente, é conseguir nadar e olhar e sua direção pois o
deslocamento de ar movido pela queda d'água faz com que a nuvem de água
vire uma chuva horizontal muito forte. As rajadas de vento carregadas de
água chegam a doer quando batem no corpo. A água do poço também ondula
muito, fazendo grandes marolas que fazem os mais ousados engolir um
pouco de água nas primeiras braçadas.
A água é sempre gelada, como as águas de
todas as cachoeiras da serra. Por isso nunca se deve nadar sozinho no
poço.
Na parte alta, as quedas que descem o canyon
adentro formam grandes poços de águas bem tranquilas. Impossível não dar
varios mergulhos em todos eles e observar os peixes que parecem já estar
acostumados ao movimento.
A vista da parte alta do canyon vai longe.
Vê-se o rio descendo pelo seu leito no vale. Seguindo com os olhos o
rio, encontra-se São José do Barreiro no meio do vale. A frente a serra
da Babilônia e o canyon onde uma mineradora de diamantes tem autorização
para cavar a terra atrás daquelas pedrinhas que ainda estão valendo mais
do que a beleza daquele lugar.
Alguma hora, a
humanidade vai gastar muito mais do que esses diamantes para tentar, em
vão, resgatar o pouco que restar de natureza. |